Estude mais e ganhe menos... (Publicado em O Liberal)
É impressionante o governo do Estado afirmar que não dará mais do que 6% para os professores de nível superior devido a crise mundial que está afetando o Pará. Será que o motivo é esse mesmo? No ano passado foi dado 6,5% e o estado estava “bombando” em arrecadação. Sinceramente gostaria de saber qual é a intenção do governo do estado em relação aos professores. Será que estão querendo equiparar o salário de todo mundo, independente do nível de escolaridade? Se for verdade, então, governadora para que estudar? Pesquisas comprovam que para cada ano de estudo os salários são 15% maiores – aqui na “terra de direitos” estudar mais não compensa. Não a toa o Pará está entre os estados mais violentos do Brasil. A continuar essa política de menor estudo mais reajuste em pouco tempo todo mundo estará equiparado, em relação ao salário base já estão.
Pagar menos do que o salário mínimo como base, ato que nenhum outro governante teve coragem de fazer e ainda culpar os professores unicamente pela greve é achar que toda sociedade não tem inteligência e que os educadores são “massa de manobra” porque são funcionários públicos. Quero dizer, senhora governadora que sou funcionário público e concursado, não sou seu empregado, estou lá por competência – seu cargo é temporário e o povo decidirá o seu destino. Nenhum outro estado paga piso menor que o mínimo. Honre pelo menos a Constituição, ou o que os demais governadores honraram que voltaremos ao trabalho com todo prazer.
Prof. Alves
abril de 2009
Teoricamente todos são professores...
Quando os educadores irão fazer do discurso à prática? Entendo que viver numa democracia não é simples nem fácil. Acatar decisões que não tomamos nem concordamos é muito complicado, mas faz parte da vivência democrática. Quem dera que esse mundo fosse feito de realizações e discursos uniformes. Mas, engolir “sapos” é democraticamente aceitável.
Os verdadeiros educadores, aqueles que estudaram unicamente com esse fim estão com dificuldade de colocar em prática o seu aprendizado - o salário é incompatível com a realidade de um profissional de nível superior, as escolas sucateadas, alunos desinteressados e uma gama de outras situações. No entanto, quem dá aula por hobby não pode decidir pela maioria necessitada de professores. É muito cômodo para um profissional que tem outra função na qual é bem melhor remunerado decidir por todos. Eu simplesmente proponho que “esses professores” larguem os seus empregos principais e vivam unicamente com os proventos pagos aos educadores. A realidade da educação brasileira é bastante complexa, mas dificilmente vai se encontrar professores provenientes de classes abastadas, quase todos são pessoas que estudaram, venceram a miséria, mas não conseguiram sair da pobreza porque escolheram a profissão errada, por conveniência ou simplesmente por necessidade.
A greve é ruim para todos e muito mais para os estudantes. Se fazer de vítima e defender a não paralisação é reconhecer que tudo está bem e nada precisa mudar. Se você é um profissional com qualificação e compromisso político você enfrentará a batalha da greve, mas não punirá o seu aluno. Quem tem experiência em sala de aula sabe que existem assuntos que estão no programa, mas poderão ser suprimidos, enquanto que têm outros que jamais os alunos poderão deixar de aprender.
A educação não é feita só de conteúdo, mas no fundo é isso que nos cobram. Portanto, senhores responsáveis professores conclamo que vocês não deixem de apoiar e participar da greve, mas ao mesmo tempo auxilie o seu aluno. Todos os alunos da rede pública têm livros didáticos, então estimule o educando a conhecer os assuntos que serão reforçados por você posteriormente. Cobre desse aluno a leitura do seu material didático, mas, por favor, não jogue na lata do lixo toda “consciência” política que você aprendeu ou deveria ter aprendido.
Prof. Alves
abril 2009
Quero voltar ao trabalho...
A nossa greve é mais do que crível, mas o governo Ana Julia é o mais insensível que já passou por essas bandas. Razões? Temos aos montes para continuar a paralisação, em 2002 quando fiz concurso o salário base era 1,5 mínimos, hoje é menos do que o mínimo. No entanto, percebo a cada dia que passa que estamos apenas atingindo os nossos alunos, enquanto que a governadora sentada em seu trono continua indiferente – “se lixando” como diria o deputado Sérgio Morais.
Não acredito mais no governo Ana Júlia e por isso quero voltar a trabalhar. A educação no estado do Pará está entre as piores do Brasil, não por acaso, o descaso aqui é tão evidente que só a intervenção do Governo Federal poderia amenizar a situação. A infra-estrutura é corroída a cada momento e agora nem o salário base é honrado. No ano anterior, depois de 41 dias de paralisação conseguimos 0,5% a mais do que antes da greve, isso depois de ação na justiça e bombas atiradas pela polícia. E vejam que o Governo do Pará em 2008 orgulhava-se de recordes na arrecadação.
Então o que esperar desse ano? Tem a desculpa da crise mundial que diminuiu a arrecadação do Estado, muito embora a maior parte dos recursos da educação seja federal e até aumentaram em relação ao ano anterior. O mesmo governo que não dispõem de recursos para melhorar a infra-estrutura das escolas e o salário dos professores é o mesmo que distribui kits promocionais para os alunos. Então, chego a conclusão que o problema é simplesmente prioridade. O que mais dá dividendos políticos? Bolsas e kits! Eu conheço esse filme chama-se “voto de cabresto”.
Gostaria de voltar ao trabalho porque sinto que estamos sendo penalizados e não consigo enxergar nenhum horizonte. Esperemos pelo próximo ano. O troco virá e não tenho dúvida que nós educadores contando os dias lutará pelo fim desse governo. Peço perdão aos alunos que querem um futuro melhor, mas a minha consciência não permite abandonar a greve, respeitarei a decisão tomada pela maioria em assembléia. A democracia nos ensina que temos de acatar decisões por nós não compactuada.
Prof. Alves
maio 2009
EXISTE GOVERNO NO PARÁ?
Os professores estão sendo bombardeados pela opinião pública. É incrível que as mazelas da educação do Pará tenha uma única explicação – a falta de compromisso dos educadores – nos chamam de vagabundos, relapsos, mentirosos. Nos incriminam porque reagimos a uma situação de descaso profundo deste Estado com a educação e em conseqüência o seu futuro.
Mas quem se importa com isso? Os kits, as bolsas farão o mesmo papel do voto de cabresto das regiões mais pobres e em pouco tempo tudo estará em calmo mar, com novas eleições, novas promessas e as seculares enganações.
É impressionante como os professores são mal visto pela sociedade, me parece que o nível superior de professor não é tão superior assim se comparado com outras profissões. Ganhar mal ninguém quer mais professor tem que se contentar com isso e ainda escutar: quem mandou ser professor? Esquece ou se faz de esquecido que não existirá “profissões” sem professores.
Já existe uma reação silenciosa – muitos só estão professores e esperam ansiosos para mudar de profissão ou completar a renda com outras atividades. Não tenho dúvida que muitos dos qualificados educadores trocarão de profissão em pouco tempo. Mas quem vai se importar com isso? A sociedade cobra a presença do professor em sala de aula, então qualquer um servirá basta tapar esse “rombo” deixado.
Assim o governo fica feliz porque engana todos com o cumprimento de 200 dias letivos, a sociedade também porque seus filhinhos estarão todos os dias na escola. Ninguém se preocupou com a qualidade, o importante é o cumprimento de metas. Em um Estado onde se é aprovado com média medíocre de 5 ajudado por duas recuperações, tudo vale, tudo é permitido...
Prof. Alves
Maio 2009