quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Professor pra que?

Ao longo da nossa história a figura do professor sempre foi a de quebra galho da sociedade, em nenhum momento o professor realmente mereceu por parte dos governantes e da sociedade um tratamento privilegiado, apesar de ter uma função SINE QUA NON. Se no passado se respeitava mais esse profissional, mas do ponto de vista da remuneração sempre foi cidadão de segunda classe. Dentro da lógica capitalista as funções de trabalho que são mais valorizadas são as que apresentam salários maiores, assim os profissionais da educação vão cada vez mais perdendo status e se amofinando com o tempo. Dizer que é professor para alguns passou a ser pejorativo e então esses profissionais passaram a se esconder nos seus própios jalecos.
Nas três últimas décadas os professores tanto de rede privada quanto de rede pública tem sofrido bastante com medidas diretas ou indiretas criadas pelo governo. A obrigatoriedade de 200 dias letivos significou mais trabalho para o professor, sem contudo representar mais ganhos reais. A possibilidade de se estudar em escolas privadas sem obrigatoriedade do pagamento mensal arrebentou o lado da corda do professor, pois empresários do ramo passaram a demitir educadores e substituir por aqueles que aceitavam salários menores. A possibilidade de profissionais de diversas áreas lecionar prejudicou sensivelmente aqueles que encontraram unicamente na educação a sua forma de sustento.
As medidas pedagógicas criadas pelos governantes têm que ser cumpridas integralmente pelos educadores. As medidas de valorização dos professores se arrastam e não passam de promessas. Governantes que entram na justiça contra a lei do piso salarial é o fim da picada. Se esse piso fosse ao menos parecido com os dos parlamentares, mas está bem abaixo daquele que é pago a quem nem precisou frequentar as escolas. 
A cada dia os professores são cobrados por resultados tanto pela sociedade como pelo governo. Prova Brasil, IDEB, ENEM, etc passaram a medir as escolas, mas acima de tudo o desempenho dos professores. Em nenhum momento alguém se preocupou com a carreira desse profissional, mas sim com o resultado matemático dos indicadores de avaliação.
É triste perceber que os filhos de professores não querem seguir a profissão dos pais e esses nem incentivam porque buscam noutras profissões caminhos melhores para os filhos. É dramático ver a sociedade chamar esses profissionais de vagabundos por buscarem nas greves o instrumento de chamar a atenção de todos. Quando se trata de valorização dos professores até a instância maior da justiça brasileira (STF) é desrespeitada. Alegam que não dispõem de recursos para tal, como se professores fossem realmente dispensáveis. Quando será que vamos ouvir que não há recursos para as benesses dos parlamentares, que não há recursos para a corrupção e que não há recursos para a gastança em geral. 
Será que esses profissionais vão ser sempre os responsáveis pelo futuro do país e vão sempre viver com as migalhas do presente? Sendo assim, que se decrete de uma vez por toda o fim da profissão de professor, porque a vida desses profissionais há muito já se decretou o alijamento.

quarta-feira, 20 de abril de 2011



Estude mais e ganhe menos... (Publicado em O Liberal)

É impressionante o governo do Estado afirmar que não dará mais do que 6% para os professores de nível superior devido a crise mundial que está afetando o Pará. Será que o motivo é esse mesmo? No ano passado foi dado 6,5% e o estado estava “bombando” em arrecadação. Sinceramente gostaria de saber qual é a intenção do governo do estado em relação aos professores. Será que estão querendo equiparar o salário de todo mundo, independente do nível de escolaridade? Se for verdade, então, governadora para que estudar? Pesquisas comprovam que para cada ano de estudo os salários são 15% maiores – aqui na “terra de direitos” estudar mais não compensa. Não a toa o Pará está entre os estados mais violentos do Brasil. A continuar essa política de menor estudo mais reajuste em pouco tempo todo mundo estará equiparado, em relação ao salário base já estão.
Pagar menos do que o salário mínimo como base, ato que nenhum outro governante teve coragem de fazer e ainda culpar os professores unicamente pela greve é achar que toda sociedade não tem inteligência e que os educadores são “massa de manobra” porque são funcionários públicos. Quero dizer, senhora governadora que sou funcionário público e concursado, não sou seu empregado, estou lá por competência – seu cargo é temporário e o povo decidirá o seu destino. Nenhum outro estado paga piso menor que o mínimo. Honre pelo menos a Constituição, ou o que os demais governadores honraram que voltaremos ao trabalho com todo prazer.

abril 2009
Prof. Alves




segunda-feira, 10 de maio de 2010

FALANDO DE GREVE - CINISMO PURO DA SEDUC

O Governo do Estado comemora o envio do PCCR para a Assembleia, afirma que é a maior conquista dos trabalhadores da educação nos últimos 30 anos, também diz que os professores vão ser mais valorizados, e que haverá um salto na qualidade de ensino no Pará.
Ou os professores estão desinformados ou o governo está querendo enganar ainda mais essa categoria, que deveria ser de pessoas conscientizadas, mas que no fundo não passa de um bando que olha apenas para o seu umbigo. Pois bem, se você professor é um daqueles que não participa de nenhuma mobilização, que sempre encontra uma desculpa para não estar presente em nenhum ato, saiba que não temos o que comemorar, se o PCCR for aprovado nos moldes atuais teremos muito mais perdas do que ganhos. Do ponto de vista financeiro o governo propõe pagar R$ 1.045,00  como piso de quem trabalha 40 horas semanais para professor especialista, mesmo que tenhamos 20% de hora pedagógica, no fundo teremos perdas abissais, visto que para conceder esse reajuste "enorme" de R$ 35,00 o governo cortará todos os abonos (GEP, FUNDEB, VALE REFEIÇÃO, VALE TRANSPORTE) que significará uma perda de aproximadamente R$ 500,00 nos já míseros salários do professor.
Do ponto de vista pedagógico os professores passarão a ser avaliados periodicamente - não tenho nenhum medo da avaliação, mas colocar nas costas dos professores todo o insucesso da educação é uma covardia total, já que para se ministrar uma boa aula precisa-se de preparação, mas também de um bom salário, de espaço físico adequado, de uma clientela que queira estudar. O que se ver hoje nas escolas são salas sem um mínimo de ventilação, com alunos e professores preocupados com o suor que cai dos seus rostos. Carteiras sem nenhum conforto, iluminação que não funciona, merenda que aparece de forma intermitente, alunos que só aparecem em dias de provas ou chegam constantemente atrasados, a tal da inclusão que coloca alunos que precisam de atenção constante e de profissionais que entendam o seu problema físico ou mental, todos juntos, parece uma utopia, mas na prática  é o estado querendo se livrar dos encargos, transferindo-os para os educadores.

NÃO ESTAVA PENSANDO EM GREVE EM 2010, MAS PERCEBO QUE O (DES)GOVERNO ANA JÚLIA VEIO COM UM ÚNICO OBJETIVO PERSEGUIR OS PROFESSORES.

sábado, 10 de abril de 2010

ESCOLAS SEM CARTEIRAS...SOCORRO...

Meu Deus, onde estão colocando toda essa gama de verbas que o Governo Federal tem enviado para os municípios? É triste ter notícia de crianças estudando no chão por falta de algo tão elementar - carteiras. As verbas são cada vez maiores para a educação, mas ao mesmo tempo não sentimos grandes mudanças. Prefeitos e até governadores estão se aproveitando das verbas da educação para outros fins. Vocês acham que os kits escolares foram comprados com que dinheiro? É claro que estão de bolsos cheios para gastar na educação, mas continuam privilegiando aquilo que traz votos (em especial, kits, fachadas, inauguração de escolas, sem professores, sem carteiras etc.)
Em um país onde se desvia recursos da merenda escolar, o que se pode mais esperar em relação aos resultados da educação.

EDUCAÇÃO FEDERALIZADA TEM QUE SER A NOSSA META DE PROFESSOR.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A CONTRIBUIÇÃO DA COR DA CANETA NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA





A cromoterapia deve ter sua importância, o equilíbrio físico-energético para muitos está intimamente ligado as cores que se usa no seu dia-a-dia. No antigo Egito já era praticada. No entanto, não vejo muita importância entre a cor que se corrige as avaliações e o resultado ou constrangimento do aluno, a não ser que o professor se utilize de “frases de efeito” para chamar a atenção do aluno – mas nesse caso não é a cor que constrange, são as frases – Não conheço exemplo de aluno que tenha ficado constrangido por ter tirado nota máxima na prova e o mestre tenha colocado em letras garrafais “MEUS PARABENS” em VERMELHO – Será que não estamos confundindo o constrangimento da nota com a cor usada para expor a mesma?
Depois de décadas de estudo, os professores também chegaram à conclusão: assim como a cor que corrige as provas constrange os alunos, a cor que é usada nas provas também. É inconcebível que se use a tinta preta nas provas – para o bem da educação brasileira e de nossos queridos alunos as provas deveriam ser elaboradas em cores suaves tipo: azul claro, amarelo claro, rosa, e não preto que lembra morte, luto, ausência de cor.
Dessa forma, os professores reunidos em assembleia decidiram elaborar e ratificar algumas propostas:
Primeiro: Quando o aluno tirar uma nota baixa, apenas mencionar na prova – entrar em contato com o telefone tal, ou email tal, ou caixa postal tal, para ter acesso a sua nota.
Segundo: Fazer correção com canetas transparentes que só serão visualizadas perpendiculares à luz solar.
Terceiro: Notas altas para todos os alunos, assim ninguém se constrange; mesmo aqueles que não freqüentam aulas, não participam de nada, vivem alheios ao mundo e não conseguem aprovação com média 5, ajudados por trabalhos, feiras diversas, jogos e uma infinidade de recuperações.
Por favor, pensemos a educação com mais educação...

Prof. Alves

FALANDO DE GREVE - 2009

Estude mais e ganhe menos... (Publicado em O Liberal)

É impressionante o governo do Estado afirmar que não dará mais do que 6% para os professores de nível superior devido a crise mundial que está afetando o Pará. Será que o motivo é esse mesmo? No ano passado foi dado 6,5% e o estado estava “bombando” em arrecadação. Sinceramente gostaria de saber qual é a intenção do governo do estado em relação aos professores. Será que estão querendo equiparar o salário de todo mundo, independente do nível de escolaridade? Se for verdade, então, governadora para que estudar? Pesquisas comprovam que para cada ano de estudo os salários são 15% maiores – aqui na “terra de direitos” estudar mais não compensa. Não a toa o Pará está entre os estados mais violentos do Brasil. A continuar essa política de menor estudo mais reajuste em pouco tempo todo mundo estará equiparado, em relação ao salário base já estão.

Pagar menos do que o salário mínimo como base, ato que nenhum outro governante teve coragem de fazer e ainda culpar os professores unicamente pela greve é achar que toda sociedade não tem inteligência e que os educadores são “massa de manobra” porque são funcionários públicos. Quero dizer, senhora governadora que sou funcionário público e concursado, não sou seu empregado, estou lá por competência – seu cargo é temporário e o povo decidirá o seu destino. Nenhum outro estado paga piso menor que o mínimo. Honre pelo menos a Constituição, ou o que os demais governadores honraram que voltaremos ao trabalho com todo prazer.

Prof. Alves

abril de 2009






Teoricamente todos são professores...








Quando os educadores irão fazer do discurso à prática? Entendo que viver numa democracia não é simples nem fácil. Acatar decisões que não tomamos nem concordamos é muito complicado, mas faz parte da vivência democrática. Quem dera que esse mundo fosse feito de realizações e discursos uniformes. Mas, engolir “sapos” é democraticamente aceitável.


Os verdadeiros educadores, aqueles que estudaram unicamente com esse fim estão com dificuldade de colocar em prática o seu aprendizado - o salário é incompatível com a realidade de um profissional de nível superior, as escolas sucateadas, alunos desinteressados e uma gama de outras situações. No entanto, quem dá aula por hobby não pode decidir pela maioria necessitada de professores. É muito cômodo para um profissional que tem outra função na qual é bem melhor remunerado decidir por todos. Eu simplesmente proponho que “esses professores” larguem os seus empregos principais e vivam unicamente com os proventos pagos aos educadores. A realidade da educação brasileira é bastante complexa, mas dificilmente vai se encontrar professores provenientes de classes abastadas, quase todos são pessoas que estudaram, venceram a miséria, mas não conseguiram sair da pobreza porque escolheram a profissão errada, por conveniência ou simplesmente por necessidade.
A greve é ruim para todos e muito mais para os estudantes. Se fazer de vítima e defender a não paralisação é reconhecer que tudo está bem e nada precisa mudar. Se você é um profissional com qualificação e compromisso político você enfrentará a batalha da greve, mas não punirá o seu aluno. Quem tem experiência em sala de aula sabe que existem assuntos que estão no programa, mas poderão ser suprimidos, enquanto que têm outros que jamais os alunos poderão deixar de aprender.
A educação não é feita só de conteúdo, mas no fundo é isso que nos cobram. Portanto, senhores responsáveis professores conclamo que vocês não deixem de apoiar e participar da greve, mas ao mesmo tempo auxilie o seu aluno. Todos os alunos da rede pública têm livros didáticos, então estimule o educando a conhecer os assuntos que serão reforçados por você posteriormente. Cobre desse aluno a leitura do seu material didático, mas, por favor, não jogue na lata do lixo toda “consciência” política que você aprendeu ou deveria ter aprendido.



Prof. Alves
abril 2009



Quero voltar ao trabalho...

A nossa greve é mais do que crível, mas o governo Ana Julia é o mais insensível que já passou por essas bandas. Razões? Temos aos montes para continuar a paralisação, em 2002 quando fiz concurso o salário base era 1,5 mínimos, hoje é menos do que o mínimo. No entanto, percebo a cada dia que passa que estamos apenas atingindo os nossos alunos, enquanto que a governadora sentada em seu trono continua indiferente – “se lixando” como diria o deputado Sérgio Morais.
Não acredito mais no governo Ana Júlia e por isso quero voltar a trabalhar. A educação no estado do Pará está entre as piores do Brasil, não por acaso, o descaso aqui é tão evidente que só a intervenção do Governo Federal poderia amenizar a situação. A infra-estrutura é corroída a cada momento e agora nem o salário base é honrado. No ano anterior, depois de 41 dias de paralisação conseguimos 0,5% a mais do que antes da greve, isso depois de ação na justiça e bombas atiradas pela polícia. E vejam que o Governo do Pará em 2008 orgulhava-se de recordes na arrecadação.
Então o que esperar desse ano? Tem a desculpa da crise mundial que diminuiu a arrecadação do Estado, muito embora a maior parte dos recursos da educação seja federal e até aumentaram em relação ao ano anterior. O mesmo governo que não dispõem de recursos para melhorar a infra-estrutura das escolas e o salário dos professores é o mesmo que distribui kits promocionais para os alunos. Então, chego a conclusão que o problema é simplesmente prioridade. O que mais dá dividendos políticos? Bolsas e kits! Eu conheço esse filme chama-se “voto de cabresto”.
Gostaria de voltar ao trabalho porque sinto que estamos sendo penalizados e não consigo enxergar nenhum horizonte. Esperemos pelo próximo ano. O troco virá e não tenho dúvida que nós educadores contando os dias lutará pelo fim desse governo. Peço perdão aos alunos que querem um futuro melhor, mas a minha consciência não permite abandonar a greve, respeitarei a decisão tomada pela maioria em assembléia. A democracia nos ensina que temos de acatar decisões por nós não compactuada.


Prof. Alves
maio 2009



EXISTE GOVERNO NO PARÁ?

Os professores estão sendo bombardeados pela opinião pública. É incrível que as mazelas da educação do Pará tenha uma única explicação – a falta de compromisso dos educadores – nos chamam de vagabundos, relapsos, mentirosos. Nos incriminam porque reagimos a uma situação de descaso profundo deste Estado com a educação e em conseqüência o seu futuro.
Mas quem se importa com isso? Os kits, as bolsas farão o mesmo papel do voto de cabresto das regiões mais pobres e em pouco tempo tudo estará em calmo mar, com novas eleições, novas promessas e as seculares enganações.
É impressionante como os professores são mal visto pela sociedade, me parece que o nível superior de professor não é tão superior assim se comparado com outras profissões. Ganhar mal ninguém quer mais professor tem que se contentar com isso e ainda escutar: quem mandou ser professor? Esquece ou se faz de esquecido que não existirá “profissões” sem professores.
Já existe uma reação silenciosa – muitos só estão professores e esperam ansiosos para mudar de profissão ou completar a renda com outras atividades. Não tenho dúvida que muitos dos qualificados educadores trocarão de profissão em pouco tempo. Mas quem vai se importar com isso? A sociedade cobra a presença do professor em sala de aula, então qualquer um servirá basta tapar esse “rombo” deixado.
Assim o governo fica feliz porque engana todos com o cumprimento de 200 dias letivos, a sociedade também porque seus filhinhos estarão todos os dias na escola. Ninguém se preocupou com a qualidade, o importante é o cumprimento de metas. Em um Estado onde se é aprovado com média medíocre de 5 ajudado por duas recuperações, tudo vale, tudo é permitido...

Prof. Alves
Maio 2009

A CULPA É DO MORDOMO


Depois de vinte anos dedicado à educação o que mais me preocupa hoje é que tanto a sociedade, como o governo e até o corpo técnico das escolas, justificam a precariedade na educação, de um modo geral, atacando sempre a postura do professor - o professor é relapso, descompromissado, desatualizado, incoerente, desmotivado, injusto e até vagabundo. As mazelas da educação já tem culpado - o professor. Nós realmente estamos na linha de frente da educação, mas não decidimos boa parte do que nela acontece, em outras palavras somos apenas coadjuvantes desse circo onde todos se enganam.
É verdade que existem alguns professores descompromissados e muitos desmotivados, assim como existem muitos que apenas estão professores, ou vestem o jaleco de mestre, mas estão contando os dias para poder mudar de profissão ou se livrar dessa incumbência.
Sinto que uma boa parte das reuniões pedagógicas e de planejamento não resolve os problemas da educação, porque eles quase sempre extrapolam a sala de aula. Alunos que trabalham e se atrasam nos estudos, desagregação familiar, violência, trânsito, desmotivação etc. professores faltosos do dia-a-dia, também faltam às reuniões e por isso nem sempre escutam as broncas da direção.

Defendendo os educadores, sem, contudo, proteger os "picaretas" - é importante observar que hoje o professor trabalha bem mais do que no passado e além dos baixos salários enfrenta as precárias condições físicas das escolas, por muitas vezes falta de tudo, do giz ou pincel a uma boa refrigeração na sala. Enquanto isso os burocratas que decidem os caminhos da educação, quase sempre estão em salas bem refrigeradas e equipadas.
Se no passado o professor aplicava uma única prova bimestral, hoje ele tem por obrigação passar no mínimo duas avaliações - significa mais trabalho para elaborar e corrigir essas provas.
Antes era raro prova de segunda chamada, porque o aluno não faltava, hoje temos segunda, terceira e até re-recuperação, dependendo da vontade da coordenação e das estórias criadas pelos alunos.
Sem falar que hoje temos recuperações semestrais, alunos em dependência e a necessidade do professor ter outras atividades profissionais, visto que de outra forma é um candidato forte a passar necessidade juntamente com sua família.
Se o professor trabalha mais, tem menos tempo e compromete a sua saúde, conseqüentemente cansaço, estafa, stress, passa a fazer parte do cotidiano do educador, por isso, os afastamentos e licenças de saúde são constantes.
O professor compromete seu tempo com atividades e compromissos diversos, atrapalha seu planejamento e quase sempre não cumpre o programa serial. A qualidade da educação despenca - os alunos que são as principais vítimas cada vez mais aprende menos, mas para não ser punidos são aprovados sem nada saber. Direção, governo, sociedade, responsabilizam o professor e novamente voltamos à estaca zero.
Conclamo a todos os professores a se unir em prol da defesa de sua honra e denunciar o verdadeiro culpado pelos descalabros da educação.

Prof. Alves

NÃO FAÇA DA EDUCAÇÃO UMA BRINCADEIRA

Sinto-me incomodado e desorientado em relação aos devaneios praticados pela SEDUC, não consigo imaginar que um órgão tão necessário e importante para o desenvolvimento social do estado do Pará esteja sendo tão mal administrado. É pena ver que pessoas despreparadas estão ocupando cargos simplesmente por benesses ou apadrinhamento político. Insulta a inteligência dos educadores quando propõem mudanças ou transformações no ensino público sem, contudo apresentar a mínima competência em dirigi-los.
Gritante é a incapacidade de fazer pelo menos o elementar, orientar e conduzir a elaboração de projetos nas escolas. Capitaneados pelo Ministério da Educação e Cultura, recebem uma gama de verbas e financiamentos para inovar o ensino, mas se contradizem na prática e no próprio discurso. O que está ocorrendo em relação ao Projeto Ensino Médio Inovador é o atestado definitivo da incapacidade administrativa. Técnicos da SEDUC convocam reuniões com os educadores para explicar a elaboração e condução do projeto, os mesmos afirmam que já percorreram boa parte do estado divulgando as diretrizes do programa, no entanto, logo a seguir, essas diretrizes são completamente mudadas ou desmentidas por superiores dentro deste mesmo órgão. Pergunto: quem paga a conta dessas viagens e das estadias desses representantes inócuos da SEDUC?
Estamos perdidos, não sabemos absolutamente nada de concreto a respeito do projeto do Governo Federal que injetará uma boa quantia em dinheiro em algumas escolas públicas. Os professores são chamados a participar; em um dia, oferecem ampliação de carga horária, hora pedagógica, dedicação exclusiva ao projeto, em outro, tudo fica como estar, os professores não receberão nenhum benefício complementar para atuar e se dedicar ao Ensino Médio Inovador.
O que querem de nós professores? O sangue, a alma, porque o corpo e nossa mente já estão sob o comando da SEDUC. Querer que desenvolvamos projetos que melhorem a qualidade do ensino, sem nenhuma contrapartida é pensar que somos fantoches a serviço dos burocratas inertes desse departamento. Será que querem jogar toda a responsabilidade de um possível fracasso nas costas dos educadores ou será que querem nos confrontar com os pais dos alunos que exigem resultados práticos no ensino público.
Conclamo por clareza e objetividade. Nas escolas escolhidas para o projeto já tem diversos professores perdendo carga horária, outros são chamados a aderir sob a pena de ser desligado do estabelecimento de ensino. Querem o envolvimento dos professores, usam artifícios de pressão só presenciados durante o Regime de Exceção no Brasil, clamam por resultados e melhorias nos índices do IDEB, mas esquecem que os verdadeiros responsáveis pelos baixos indicadores educacionais do estado são pela ordem: as precárias condições físicas das escolas, as péssimas condições de trabalho dos educadores aliada a sua falta de perspectiva futura, o uso da educação como instrumento político e a malversação e ingerência dos recursos destinados a esse fim.
Prof. Alves
prof.alves@ig.com.br