quinta-feira, 1 de abril de 2010

A CULPA É DO MORDOMO


Depois de vinte anos dedicado à educação o que mais me preocupa hoje é que tanto a sociedade, como o governo e até o corpo técnico das escolas, justificam a precariedade na educação, de um modo geral, atacando sempre a postura do professor - o professor é relapso, descompromissado, desatualizado, incoerente, desmotivado, injusto e até vagabundo. As mazelas da educação já tem culpado - o professor. Nós realmente estamos na linha de frente da educação, mas não decidimos boa parte do que nela acontece, em outras palavras somos apenas coadjuvantes desse circo onde todos se enganam.
É verdade que existem alguns professores descompromissados e muitos desmotivados, assim como existem muitos que apenas estão professores, ou vestem o jaleco de mestre, mas estão contando os dias para poder mudar de profissão ou se livrar dessa incumbência.
Sinto que uma boa parte das reuniões pedagógicas e de planejamento não resolve os problemas da educação, porque eles quase sempre extrapolam a sala de aula. Alunos que trabalham e se atrasam nos estudos, desagregação familiar, violência, trânsito, desmotivação etc. professores faltosos do dia-a-dia, também faltam às reuniões e por isso nem sempre escutam as broncas da direção.

Defendendo os educadores, sem, contudo, proteger os "picaretas" - é importante observar que hoje o professor trabalha bem mais do que no passado e além dos baixos salários enfrenta as precárias condições físicas das escolas, por muitas vezes falta de tudo, do giz ou pincel a uma boa refrigeração na sala. Enquanto isso os burocratas que decidem os caminhos da educação, quase sempre estão em salas bem refrigeradas e equipadas.
Se no passado o professor aplicava uma única prova bimestral, hoje ele tem por obrigação passar no mínimo duas avaliações - significa mais trabalho para elaborar e corrigir essas provas.
Antes era raro prova de segunda chamada, porque o aluno não faltava, hoje temos segunda, terceira e até re-recuperação, dependendo da vontade da coordenação e das estórias criadas pelos alunos.
Sem falar que hoje temos recuperações semestrais, alunos em dependência e a necessidade do professor ter outras atividades profissionais, visto que de outra forma é um candidato forte a passar necessidade juntamente com sua família.
Se o professor trabalha mais, tem menos tempo e compromete a sua saúde, conseqüentemente cansaço, estafa, stress, passa a fazer parte do cotidiano do educador, por isso, os afastamentos e licenças de saúde são constantes.
O professor compromete seu tempo com atividades e compromissos diversos, atrapalha seu planejamento e quase sempre não cumpre o programa serial. A qualidade da educação despenca - os alunos que são as principais vítimas cada vez mais aprende menos, mas para não ser punidos são aprovados sem nada saber. Direção, governo, sociedade, responsabilizam o professor e novamente voltamos à estaca zero.
Conclamo a todos os professores a se unir em prol da defesa de sua honra e denunciar o verdadeiro culpado pelos descalabros da educação.

Prof. Alves

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